Antes de o dia clarear, Gustavo Santos Brito já está de pé. Entre 4h30 e 5h, ele deixa sua casa e inicia uma rotina que combina estudo, trabalho e muitos quilômetros percorridos. Pela manhã, participa do curso de Informática Avançada no Polo Tecnológico da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat). À tarde, segue para o Hospital Primavera, onde atua como auxiliar administrativo.
A jornada é cansativa, mas representa uma conquista construída com perseverança e com o apoio da Fundat, instituição que ofereceu a Gustavo qualificação profissional, acolhimento e a oportunidade de participar do processo seletivo que resultou em sua contratação.
“Eu acordo cedo, venho para o curso, almoço na casa da minha avó e depois sigo para o trabalho. Quando saio do hospital, vou direto para casa”, conta o jovem que concluiu, nesta sexta-feira, 24, o curso de Informática Avançada.
Pessoa com deficiência (PcD), Gustavo enfrentou dificuldades ao longo da vida, incluindo episódios de bullying. Em vez de desistir, encontrou nos estudos uma forma de seguir em frente e conquistar autonomia.
“Minha trajetória tem sido bem difícil, com bullying e outras situações. Estou aqui exatamente para adquirir conhecimento. Gosto muito de estudar, principalmente informática e tecnologia”, afirma.
A história de Gustavo com a Fundat começou quando ele procurava uma oportunidade de emprego. Foi o pai quem apresentou a instituição ao jovem, que passou a enxergar ali um caminho possível para alcançar seus objetivos.
Além de ter participado dos cursos de informática, Gustavo realizou seu cadastro no EmpregAju, serviço de intermediação de mão de obra da Fundat. Por meio desse atendimento, foi encaminhado para uma entrevista no Hospital Primavera, destacou-se durante a seleção e conquistou a vaga de auxiliar administrativo. “Foi graças à Fundação que consegui me candidatar a essa vaga no Primavera”, relata.
Desde a contratação, a rotina ficou mais intensa, mas também ganhou um novo significado. No Hospital Primavera, Gustavo é responsável pelo envio de lembretes de consultas aos pacientes. A função exige concentração, responsabilidade e atenção aos detalhes, já que qualquer informação incorreta pode comprometer o atendimento.
Os conhecimentos adquiridos nos cursos da Fundat passaram a fazer parte de sua rotina profissional. Para ele, a formação em informática tem contribuído diretamente para o desempenho das atividades no hospital.
O apoio recebido, no entanto, não se limita ao conteúdo técnico. Gustavo encontrou no Polo Tecnológico um espaço de convivência, aprendizado e inclusão. “Além dos colegas que fiz, a tranquilidade, a leveza da aula e o conhecimento passado me motivam muito”, afirma.
A presidente da Fundat, Melissa Rollemberg, destaca que promover a inclusão das pessoas com deficiência na qualificação profissional e no mercado de trabalho é um dos compromissos da instituição. Segundo ela, a Fundat trabalha para identificar as necessidades de cada pessoa, oferecer capacitação adequada e aproximar os trabalhadores das empresas que disponibilizam oportunidades de emprego.
“O mercado de trabalho precisa ser inclusivo. A Fundat busca entender as especificidades de cada deficiência para ampliar as oportunidades”, afirma.
Melissa ressalta que a história de Gustavo representa, na prática, o resultado da integração entre qualificação, intermediação de mão de obra e parceria com a iniciativa privada. “A gente conseguiu encaminhá-lo para uma seleção, na qual ele foi contratado pelo Hospital Primavera. Quando compreendemos melhor as necessidades das pessoas e trabalhamos em parceria, conseguimos avançar cada vez mais”, enfatiza.
Para a presidente, ainda existem desafios a serem superados, mas cada contratação representa um passo importante na construção de uma sociedade mais justa.
“O objetivo é construir um mundo do trabalho cada vez mais inclusivo, oferecendo oportunidades para todos”, conclui.
Do curso básico à Informática Avançada
A diretora do Polo Tecnológico da Fundat, Andréa Lima dos Santos, acompanhou de perto a evolução do jovem. Gustavo iniciou sua formação no curso de Informática Básica e, graças ao interesse e ao bom desempenho, avançou para o curso de Informática Avançada, realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Segundo Andréa, a trajetória do aluno demonstra como os serviços oferecidos pela Fundat se complementam: o jovem chega em busca de qualificação, aprimora seus conhecimentos, cadastra-se no sistema de empregabilidade e passa a ter acesso às oportunidades oferecidas pelas empresas parceiras.
“Gustavo chegou interessado em um dos nossos cursos de informática. Depois, fez sua inscrição no EmpregAju, foi encaminhado para uma entrevista e se destacou. É um rapaz muito desenrolado e proativo”, ressalta.
Para a diretora, a qualificação profissional é uma ferramenta fundamental para ampliar as oportunidades destinadas às pessoas com deficiência. “Ela abre portas. Nosso objetivo é promover inclusão e dar acesso à informação e ao conhecimento para que as pessoas alcancem novos objetivos”, pontua.
Andréa destaca ainda que a Fundat atua justamente como uma ponte entre a preparação profissional e o mercado de trabalho. “A Fundat oferece formação e qualificação, enquanto as empresas parceiras abrem as oportunidades. Assim, conseguimos inserir essas pessoas no mercado de trabalho”, explica.
Gustavo Santos, instrutor responsável pelas aulas de informática, também percebeu a evolução do aluno. Segundo ele, o jovem apresentou algumas dificuldades nas atividades práticas no início do curso, mas avançou à medida que recebeu orientação, incentivo e condições adequadas para aprender. “Hoje, ele consegue executar atividades práticas e teóricas com muito mais independência”, relata.
Para o instrutor, respeitar o ritmo e as particularidades de cada aluno é essencial para que a inclusão aconteça de forma efetiva. “A gente trabalha sempre respeitando essas limitações. Quando ele passou a se sentir incluído, foi se desenvolvendo cada vez mais”, afirma.
Agora, seus planos vão além da permanência no emprego. Gustavo pretende crescer profissionalmente, ingressar em uma faculdade e ajudar o pai nas despesas de casa. Ao deixar uma mensagem para outras pessoas com deficiência que procuram uma oportunidade, Gustavo resume sua caminhada em uma palavra: perseverança.
“A perseverança é o único caminho. Quando uma porta estiver fechada, procure outra aberta até encontrar uma oportunidade boa”, aconselha.
A trajetória de Gustavo mostra que inclusão não se resume à abertura de uma vaga. Ela começa com acolhimento, passa pela qualificação e se concretiza quando a oportunidade chega a quem está preparado para aproveitá-la. Com o suporte da Fundat, o jovem encontrou uma porta aberta e, por meio dela, começou a construir o próprio futuro.




