Longa de Walter Salles estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello faz história na noite deste domingo (2)
É do Brasil: Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e fez história no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA), na noite deste domingo (2). O longa de Walter Salles sobre a ditadura militar estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello foi ovacionado pelo púlico presente.
A produção original Globoplay, é a primeira produção 100% nacional a levar o prêmio – Orfeu Negro, falado em português, venceu na categoria em 1960, mas concorreu pela França. Ainda Estou Aqui também concorre a Melhor Filme e Melhor Atriz (Fernanda). A lista completa de ganhadores do Oscar 2025 está AQUI.
“Obrigada, em nome do cinema brasileiro, estou tão honrado em receber isso em um grupo tão extraordinário de. Isso é para uma mulher, que durante um luto em uma ditadura militar, deicdiu não ceder. O nome dela é Eunice Paiva. Isso também vai para duas mulheres extraordinárias que deram vida à ela: Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Vocês são demais. Isso é extraordinário. Muiot obrigado”, disse ele.
Na corrida pela estatueta, Ainda Estou Aqui bateu o controverso Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca), e Flow (Letônia). Esta foi a segunda vez que Walter Salles concorreu a Melhor Filme Internacional – ele tinha sido indicado em 1999 por Central do Brasil, pelo qual Fernanda Montenegro disputou naquele ano como Melhor Atriz.

Outras três produções brasileira tinham concorrido a Melhor Filme Internacional: O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996) e O Que é Isso, Companheiro? (1998), este último também com Fernandinha. Walter Salles, que ganhou o Globo de Ouro por Central do Brasil, era amigo de uma infância de uma das filhas de Eunice Paiva.
Interpretada por Fernanda Torres quando mais nova e por Fernanda Torres na velhice, ela era casada com Rubens Paiva, ex-deputado que tinha sido cassado e que em 1971 foi levado de casa, no Rio, por agentes da ditadura.
Ele foi torturado e morto, e Eunice passou as décadas seguintes lutando para que o Estado brasileiro reconhecesse a responsabilidade pelo desaparecimento de seu marido e emitisse a certidão de óbito dele. Ela teve Alzheimer e morreu em 2018, aos 89 anos.

Sua trajetória, de mãe de cinco filhos a ativista dos diretos das famílias dos desaparecidos políticos, foi contada no livro Ainda Estou Aqui, escrito por seu filho, Marcelo Rubens Paiva. O longa já ganhou mais de 35 prêmios em todo o mundo, inclusive o inédito Globo de Ouro de Melhor Atriz de Filme de Drama para Fernanda.
Quem é Walter SallesCarioca, Walter Salles é o terceiro cineasta mais rico do mundo, atrás apenas de Steven Spielberg, com uma fortuna avaliada em de US$ 4,5 bilhões (R$ 26, 7 bilhões). De uma família tradicional de banqueiros, ele é formado em Economia pela PUC-RJ e em Comunicação Audiovisual pela Universidade do Sul da Califórnia (EUA).
Chamado de Waltinho – seu pai era o banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles -, ele é irmão do também cineasta João Moreira Salles, e começou no cinema como documentarista, com Japão, uma Viagem no Tempo: Kurosawa Pintor de Imagens (1986) e Krajcberg, o Poeta dos Vestígios (1987). O primeiro filme foi A Grande Arte (1991), com Peter Coyote e Giulia Gam.Outros longas foram Água Negra (2005), terror em inglês estrelado por Jennifer Connelly, e Linha de Passe (2008), co-dirigido com Daniela Thomas, que teve Mateus Solano e João Baldassarini no elenco. Também com Daniela, fez Terra Estrangeira (1995) e O Primeiro Dia (1998), ambos com Fernanda Torres.


