Aparecida Gonzaga dos Santos tem 58 anos, passou à situação de rua após ausência de vínculos familiares. Foram anos dormindo e acordando nas calçadas da capital sergipana, mas por meio do serviço da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) conseguiu transformar a sua vida.Atualmente, Cida – como é chamada pelos mais próximos – tem a casa própria. Foi beneficiada com uma habitação no Conjunto Habitacional Carlos Pinna, no bairro Lamarão, mas permanece intercalando entre a moradia na Casa de Passagem Acolher, onde está desde 2022, até finalizar o processo de transição para vida autônoma. Ela precisa reaprender a lidar com tudo sozinha, a exemplo de cozinhar, cuidar da saúde, organizar o imóvel. Situações que sempre passou junto com a equipe da unidade.“Eu chorei muito de alegria quando soube que ganhei a casa, agradeci a Deus. Quem me ajudou em tudo foram às meninas da equipe, todas elas gostam de mim”, afirma Cida.A transição do acolhimento para a vida independente não é rápida e fácil para todos, assim como para ela. Cida passou boa parte da vida acolhida e avançou nos últimos anos.“Cida chegou bem tímida, ela não desenvolvia a fala. Como ela apresenta transtornos mentais, as medicações que ela tomava, deixavam ela muito travada, com dificuldade motora, ela não conseguia nem vestir uma roupa. Após acompanhamento multidisciplinar, hoje ela faz as atividades sozinha”, lembra Átila Quésia da Silva, educadora social que acompanha Aparecida desde a chegada à unidade.
A coordenadora do Acolher, Karina da Rocha Gonçalves, explica que o trabalho da equipe perpassa por diversos desafios. Inicialmente, para Cida, foi o de identificar o histórico de vida e a tentativa de ressurgimento de vínculos familiares. Em seguida, o encaminhamento para benefícios sociais e a socialização.
“Ela vivia sem vínculos familiares e passou a viver no coletivo. Trabalhamos, então, o empoderamento e autonomia de Aparecida. Em conjunto, a busca pelos benefícios. Hoje, ela tem toda documentação civil, recebe o Benefício de Prestação Continuada e é dona de um imóvel, através da política de habitação municipal, tudo feito por meio dela e da nossa equipe”, explica.
Aparecida já está nos últimos ajustes para morar de vez na casa própria. O imóvel está todo arrumado, do jeito que sempre sonhou. “Com o BPC, já comprei minhas coisa, geladeira, fogão, cama. Passei muitos anos aqui, mas estou me acostumando a minha nova morada”, ressalta.
Após a mudança, Cida continuará sendo assistida, mas pelas equipes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da região e de saúde. Uma alegria vivida por ela e por todos que acompanharam a transformação de vida.
“Ver ela comprando os móveis, vivendo sozinha, conhecendo a comunidade é emocionante”, finaliza Átila Quésia.